quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Revoadas de Meliponas

Que coisa linda, pra quem ja vio sabe o quanto é lindo e interessante, e pra quem nunca teve o prazer de ver alguma revoada de Uruçu Amarela, Uruçu Verdadeira ou até Mandaçaia, ai vai algumas fotos lindas de se ver.
-
Revoada de Uruçu Amarela (M. Flavolineata)
Revoada de Uruçu Verdadeiro (M. Scutellaris)


Eu no meio da revoada. Detalhe que parece que estou debaixo de um ventilador!





Coisa linda de se ver amigos, espero que vocês tenham gostado das fotos!

Um abraço a todos.






terça-feira, 5 de outubro de 2010

Seminário de Meliponicultura de Franca - SP

Este importante evento contou com a presença de grandes e futuros mestres da meliponicultura da atualidade, como o meu querido amigo biólogo e pesquisador da Embrapa Amazónia Giorgio Venturieri, o Dr Cristiano Menezes da USP (que sabe tudo sobre ASF), a Profa. Dra. Marilda Cortopassi Laurino da USP, o pesquisador da Embrapa e consultor técnico da câmara setorial do mel e produtos apícolas Ricardo Costa e com a brilhante presença do nada mais nada menos Prof. Paulo Nogueira Neto em pessoa!
O Seminário trouxe muito conhecimento para todos os novos e experientes meliponicultores de vários estados do Brasil, onde tivemos aulas teóricas e práticas.
Com direito a camiseta e certificado todos levamos para casa muito mais do que conhecimento, mas sim novas amizades e grandes trocas de experiências!
Mas uma vez eu tive o prazer de conversar com meu grande mestre o Prof. Paulo N. Neto e de aprender muitas novas informações com o amigo Giorgio Venturieri, que alem de ser um ícone do presente da meliponicultura é uma pessoa humilde, muito simpático e que sempre está disposto a ajudar.
Alem dos momentos de palestras e aulas práticas tivemos oportunidade de curtir as coisas boas da bela cidade de Franca, que é a capital do sapato de SP, onde eu e meus grandes amigos e companheiros de viagens o Sr. Hermelindo Sandri (que tem apenas 50 anos de experiência com meliponicultura), os grandes amigos Wanderley Fardin e Ricardo Cosellato, nossos companheiros de hotel do Paraná Robson, Clenilson e Alexandre tivemos a oportunidade de degustar grandes refeições pela cidade! (nem todas foram grandes mais ta valendo rsrsrsrsrsr)
.
Meu amigo Hermelindo trocando experiências com o prof. Paulo Nogueira; e que beleza gente, nesta foto o que não falta é sabedoria de 2 grandes homens!

o Dr. Cristiano Menezes dando uma aula de como retirar mel de ASF... ai está um futuro mestre da meliponicultura, o Cristiano é uma excelente pessoa e que eu gostei muito de conhecer pessoalmente;



Que grande foto pra mim, eu ao lado do Giorgio Venturieri. Que me incentivou muito a parar minha atual faculdade (Eng. Produção) e fazer biologia para eu poder trabalhar com ASF... E quem sabe ir la pra Belem do Pará fazer uns estágios com ele em pessoa eim Gior
gio?? rsrsrsrsrs


Da esquerda p/ direita: em pé o amigo Clenilson, Robson, Alexandre (todos do Paraná), o São Paulino viado, ops, quer dizer macho ¬¬ é o amigo Ricardo Casellato, sentado morrendo de rir sou Eu, ao meu lado os companheiros Hermelindo Sandri e Wanderley Fardin. Todos nós estávamos degustando as iguarias ao redor do hotel (churrasquinho de gato, lanchinho de beira de avenida, cerveja, refrigerante e muito papo sobre abelhas! hahahahahahahhAHAhahahahah)

A meliponicultura está crescendo cada vez mais no Brasil, e um assunto de tal importância ambiental e cultural deve ser cada vez mais falado e difundido por todos!

Amigos meliponicultores e apreciadores do assunto do Brasil, vamos lutar pela causa e exigir regulamentação decente dos órgãos responsáveis pelo Brasil... Onde aqui é permitido criar e vender carnes e produtos de animais como paca, jacaré, capivara, avestruz etc, e as abelhas nativas que são muito mais importante para o ecosistema e que estão em grande perigo de extinção não podem ser criadas e comercializadas decentemente! É de se ficar irritado com a situação, mas nunca devemos desanimar!

Um forte abraço a todos os amigos, em especial aos realizadores e palestrantes do seminário de Franca...




terça-feira, 28 de setembro de 2010

A abelha Boca-de-sapo (Partamona Helleri)

Uma abelha muito rústica e criticada por muitos, onde pessoas as confundem com as Arapuãs, e muitas vezes elas são eliminadas por falta de conhecimento!

É conhecida popularmente como Boca de sapo pela sua entrada caracteristica formando a forma de uma boca grande de sapo, feita de barro com própolis.

Muito do contrário do que muitos meliponicultores e colegas do meio pensam, a boca de sapo é uma abelha tão boa quanto outras mais criados e populares, e ainda ela leva uma vantagem estráordinaria com relação as outras espécies de abelhas sem ferrão, onde fazem seus ninhos em muitos lugares diferentes e com facilidade se multiplicam!

Seu mel é muito saboroso e limpo, e elas são grandes coletadoras de pólen, visitando muitas espécies de plantas e árvores do meio urbano.

Um fator que deixa muitos com duvida em relação a sua higiene e conduta é por causa da falta de chuvas (falta o barro), ela assim acaba pegando excrementos de animais para usar na parte externa de seu ninho, mas isso não julga nada, pois a maioria da nossa tão popular e criada racionalmente Mandaçaia também coleta fezes para marcar território na área externa de seu enxame!

Particularmente para mim ela é uma das abelhas que tem a entrada mais linda de todas as ASF, e seus ninhos coletados de forma certa é uma bela forma de enfeitar o meliponário, como nas fotos abaixo...









Outra bonita forma de salvar a abelha, e que não tem jeito de tirar seu ninho sem quebrar suas estruturas é retirar o enxame e colocar em uma caixa racional, onde ela vai fazer sua entrada também de forma escultural.

Início da construção da entrada...

Partes finais...


Portando se você achar alguém que queira matar está artista do meio das abelhas diga a está pessoa o quanto ela é importante para a flora local!




Onde se tem um enxame, por perto deve ter vários com o passar dos anos!

Um grande abraço a todos...














terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hibridismo entre espécies de ASF

Em diversas espécies de abelhas sem ferrão observamos casos em que certas espécies tem uma ligação para ocorrer a hibridação entre elas... Ou seja, um macho de uma certa espécie fecunda a rainha virgem de uma outra espécie, formando o que chamamos de uma espécie "HÍBRIDA".
...
Nestes diversos anos em que eu pesquiso e trabalho com a meliponicultura eu pude ver e relatar vários casos de hibridação entre espécies, em que algumas eu estou ou já realizei algum tipo de estudo sobre as características de desenvolvimento do enxame, reação em situações criticas do tempo e busca por alimento e etc, onde aqui vou relatar a todos os resultados visíveis de minhas pesquisas e comentar sobre casos que já observei com amigos e companheiros da meliponicultura.
...
Vamos começar com uma espécie que todos já conhecemos e sabemos bastante a respeito; a Mandaçaia, que pode ser da espécie Quadrifasciata Anthidioidis ou Quadrifasciata Quadrifasciata, onde estás duas sub-espécies se híbridam com facilidade, modificando sua aparência de forma que ela tenha caracteristicas de cada uma das duas espécies.
...
Na foto abaixo podemos ver um exemplar de cada espécie, sendo a primeira da esquerda p/ direita Quadrifasciata Quadrifasciata, a do meio uma Quadrifasciata Anthidioidis e a terceira a espécie híbrida, onde suas listras no abdómen ficam com as características de ambas.

Eu venho nos últimos anos observando e relatando algumas caracteristicas destas 3 espécies, e posso afirmar minhas conclusões sobre a Mandaçaia Híbrida...

Ao meu ver ela aderi as melhores caracteristicas de cada uma das espécies; fazendo potes de alimento grandes igual a QQ, não cessando a postura durante o pico do inverno igual a QA, sendo uma abelha de grande porte, a rainha faz uma postura muito boa, seus discos de cria são de diâmetro muito excelente e a população dos enxames esta sempre grande e com uma certa agressividade, coisa que é difícil de relatar nas espécies puras QQ e QA. Quase todas estas caracteristicas citadas por mim estão presentes em todos os enxames híbridos que eu possuo e já observei.

Outro caso muito comum de hibridação entre espécies é o caso das Scaptotrigonas das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste, que por sua vez são: Tubuna (S. Bipunctata), Mandaguari (S. Postica), Benjoi (S. polysticta), Canudo (S. Depilis), Tubiba (S. Tubiba) entre outros...

Estás espécies de Scaptotrionas são muito parecidas visivelmente, os meios de diferenciação das espécies acabam sendo muito confundidos por diversos meliponicultores graças as difíceis diferenças entre algumas espécies, onde estas caracteristicas de diferenciação são pelas suas entradas, pequenas listras e pontos nos abdomens, brilho das asas, micro pelos no corpo, e etc. E alem destes fatores, torna-se ainda mais difícil graças a hibridação frequente neste género (Scaptotrigonas).

Eu pude confirmar está afirmação com uma grande conversa e demonstração prática a respeito com nosso querido amigo o Prof. Cappas no ultimo encontro realizado na fazendo do Prof. PNN em São Simão, onde eu pude observar vários casos de Scaptotrigonas híbridas em que visivelmente já se nota que há diferenças nas entradas da espécie (juntando a caracteristica da entrada de 2 espécies), diferenças no abdomen (listras e pontos com caracteristicas de 2 ou mais espécies diferentes) e vários outros fatores.

Eu sei de outros casos de hibridação entre as Mirim Guaçu (Plebeias remota) com Mirim Guaçu amarela (Plebeias remotas rufis), entre as Mirim Drorianas (Plebeias droryanas) com Mirim Emerina (Plebeia Emerina), e possivelmente entre Manduri (M. Marginata) com Manduri amarela (M. marginata rufis).

Agora, o caso de hibridismo entre espécies mais interessante que estou tendo o prazer de observar e que ja tinha ouvido falar de relatos é entre a Uruçu Verdadeiro (M. Scutellaris) com a Uruçu Capixaba (M. Capixaba); pois mesmo as duas espécies estarem separadas naturalmente por mais de 300 km e ainda poderem se cruzar quando colocadas em mesma área sugere que houve uma separação geográfica abrupta, sem ocorrência de pressão para desenvolvimento de isolamento reprodutivo, se tornando ainda mais curioso o estudo de sua hibridação.

O estudo da espécie híbrida e os fatores de sua hibridação já foram estudados por grandes nomes da meliponicultura como o Prof. Warwick Estevam Kerr, alem de outros grandes pesquisadores que atualmente também fazem pesquisas sobre esta hibridação.

Na foto abaixo podemos observar uma abelha híbrida entre as duas espécies, onde o abdómen, que é geralmente preto brilhante da espécie M. Capixaba, mostrou listras brancas similares àqueles encontrados em Melipona Scutellaris, alem de diferenças na coloração do torax, e ao meu ver na face da abelha, que é uma mistura das duas espécies, e o tamanho da abelha é mais similar a Uruçu Capixaba (abelha mais robusta e forte).

Eu venho observando já a algum tempo o corportamente de um enxame híbrido entre estas espécies pertencente a um grande amigo meu aqui em minha cidade, e agente não pode deixar de notar que as abelhas híbridas são muita agressivas, fazem potes de mel bem grandes igual a caracteristica da Uruçu verdadeiro, e ao meu ver está espécie híbrida deve adquirir as melhores caracteristicas de cada espécie, se tornando uma espécie mais "forte" as dificuldades, com grande adaptação ao clima, meio ecológico e formação de novos enxames.

Eu e meu amigo retiramos a rainha híbrida do enxame, e a colocamos em um enxame órfão de Uruçu Verdadeiro, que tal enxame aceitou a rainha Capixaba híbrida e ela ja está fazendo postura a algums dias. O enxame híbrido que ficou órfão foi levado para um outro local onde não tinha enxames de uruçu Verdadeiro, junto a uma outra colônia de Uruçu Capixaba pura, e após algum tempo o enxame híbrido formou uma nova rainha que agora já faz a postura e nos resta saber se está nova rainha foi fecundada por um macho Capixaba puro, ou por um macho híbrido, e se foi, o enxame deve continuar sendo híbrido.

Se algum dos amigos quiserem saber mais sobre o termino desta situação é só me perguntar que assim que eu tiver novas respostas eu terei o prazer de falar a todos.

Bem meus amigos, espero que todos tenham gostado desta matéria, e ressalto que muitas coisas sobre hibridação entre espécies só tem um resultado correto com pesquisas de genética e meios cientificos, mas todos os meus comentários citados aqui foi com grande observação prática e idéias que aparentemente são corretas para serem ditas!

Um grande abraço a todos...

e até a próxima!



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Meu meliponário urbano

Muitos amigos meliponicultores e afins de ingressar nesta maravilhosa atividade se perguntam o tempo todo se é possível ter um meliponário de abelhas sem ferrão em residências na cidade e grandes centros urbanos...


A maioria dos interessados muitas vezes acabam desistindo da idéia de começar a atividade por falta de espaço em sua casa, por falta de pasto melífero na redondeza de onde mora, e ainda se for alguma grande cidade a idéia se torna um sonho! A não ser aqueles que tenham alguma chácara, sítio ou fazenda e resolvam fazer um pequeno meliponário, e como já vi relatos e observei com meus próprios olhos por causa da grande quantidade de agrotóxicos em certos locais de zona rural, muitos enxames acabam morrendo ou algumas vezes definhando graças a falta de pólen e néctar, isso mesmo, falta... pois há locais onde só há pastos de cana de açúcar na redondeza!


Pois é amigos, por incrível que pareça em certos casos é muito mais seguro ter um meliponário em centros urbanos do que em locais rurais mal localizados. E ainda mais, em várias cidades existem áreas de preservação ambiental, avenidas arborizadas (muitas árvores destas avenidas são excelentes melíferas e fonte de pólen para as ASF) e grandes quantidades de árvores frutíferas em quintais das casas e etc.


Portanto para quem ainda acha que por falta de mata, por falta de grande espaço, aqui vai o exemplo do Meliponário Abelha de Ouro (meu meliponário!) que aqui onde eu moro é perto do centro da cidade e falta espaço em meu quintal, mas não é nada que uma boa idéia pra cá, uma prateleira improvisada pra lá, uns pilares espalhados em locais estratégicos... e assim você pode ter como eu + ou - uns 100 enxames em sua casa! Mas é claro que sem alimentação artificial, e com muito amor e dedicação de sua parte e a paciência de sua esposa, mãe, avó, ou de quem for que more junto com você também é essencial para a boa atividade!


Nas fotos abaixo todos podem ver que existem várias formas de montar uma prateleira sem muito custo, como um exemplo barato e bom para o manejo eu utilizo blocos de concreto de 40 cm de alt. para fazer de base para prateleira ou para uso como base individual. Ou também utilizar mãos francesas (ganchos em L) de 1 em 1 metro e acima por uma tábua de 3 ou 5 metros... resumindo, use a criatividade!




Vistas àereas do meliponário.




Se sua casa possui jardim de inverno, coloque nele espécies mas agressivas como Tubuna, Mandaguari, Mandaguari amarela, Borá e etc.




Pode-se usar prateleiras de aço com várias divisórias...




Todo meliponário deve ter uma área reservada a apetrechos úteis para a atividade, alem de estoques de caixas!

Dica: deixe sempre junto em uma cesta ou caixa de plástico que de para carregar junto a você, as utilidades que você ira utilizar quando for multiplicar um enxame ou fazer manutenção. Como por exemplo: fita crepe, vinagre, armadilha de forídeo, chaves de fenda, espátulas, pincel (p/ matar os forídeos + facilmente), folha de cera, copos descartáveis, xarope p/ alimentação e etc.



Uma dica muito importante: Só coloque enxames um do lado do outro de mesma espécie! Não tente por espécies diferentes muito perto umas das outras, e quando não tiver jeito coloque as entradas do enxame em direções opostas! Está dica é essencial para não ocorrer brigas por território e levar o enxame ao declínio.







Aqui eu não tenho terra, mais não é por isso que não posso ter natureza! Plante árvores frutíferas ou arbustos meliferos em grandes vasos. Como exemplo eu tenho em vasos Morrão-de-candeia, Marianeira, Pitanga, Multre, Coqueiro e outras plantas que as abelhas gostam!





Outra boa dica quando não há mais espaço no solo é só pendurar em beirais de rancho, e apoiar em grades de janelas!


Sobre as espécies diferentes em uma mesma área... Eu possuo aqui Mandaçaia (QA e QQ), Uruçu verdadeira, Uruçu amarela (M. Flavolineata), Guaraipo (M. Bicolor Shenki), Uruçu cinzenta (M. Fasciculata), Manduri (M. Marginata), Tubuna (S. Bipunctata), Mandaguari (S. Postica), Tubiba (S. Tubiba), Mandaguari amarela (S. Xantotricha), Borá (T. Clavipes), Jataí, Iraí, Marmelada (F. Varia), Boca de Sapo (P. Helleri), Mirim droriana, Mirim preguiça, Mirim Emerina, Lambe-olhos (L. Muelleri)...


Todas convivem muito bem sem luta por território, basta você saber onde colocar as espécies diferentes e quais podem ficar mais próximas!
Eu espero que todos gostem do meu exemplo e de minhas dicas e que usem para iniciar um meliponário urbano!
Um forte abraço a todos...