sábado, 27 de novembro de 2010

Quanto realmente custa um enxame de ASF???

Olá amigos meliponicultores e amantes das ASF...
Um assunto muito discutido, questionado e por muitas vezes discriminado por muitos é o valor e quanto realmente vale um enxame de abelha sem ferrão.
Quero impor meu ponto de vista sobre este assunto, e colocar mais ou menos na ponta do lápis o quanto você gasta em média para fazer um enxame e quanto tempo leva até o ponto ideal para a venda.

Primeiramente para mim e para muitos que REALMENTE amam as ASF não tem preço que pague um enxame que você faz com tanto carinho e dedicação, e no meu caso se eu pudesse eu nunca venderia nenhum dos meu amados enxames!!!
Bem mas isto é outra história, vamos para o assunto custo de materias para fazer um enxame:
Vou botar no lápis valores mínimos e máximos com materias para a formação de um novo enxame de melipona ou trigona de grande população.

-Caixa de madeira: Comprando uma caixa já pronto varia muito do tipo da madeira, você acha por ai caixas de vários modelos prontas (sem acabamento externo) no valor de R$ 30, 40, 50 e até R$ 60! Variando do tamanho da espécie;
Média: R$ 45

-Cera para ajudar na formação do enxame: O valor de cera de apis não alveolada está na faixa de R$ 20 a 30 o KG, sendo que eu chego a usar 2 folhas inteiras num enxame com 3 meses.
Média: R$ 5 usando 2 folhas no enxame.

-Alimentação artificial: Muitos meliponicultores só utilizam a alimentação artificial para fazer com que seus enxames cresçam de forma mais rápida. No meu caso é pela grande quantidade de enxames na mesma área e falta de mata e néctar no redor do meliponário. No xarope se usa em sua maioria açúcar cristal que está muito caro no mercado, chega a ser de R$ 7 a 10 o saco com 5 Kg; e o complemento vitamínico Aminomix chega a ser de R$ 30 a 80 potes de 500g a 2,5 Kg.
E um enxame que é feito e alimentado artificialmente até seus 6 meses de idade tranquilamente consome em média de 500 ml a 1 L de xarope ao mês, portanto em 6 meses = 5 L
Assim o valor do Litro do xarope com base na utilização de um xarope feito com 5 Kg de açúcar (R$ 8,50) + agua + 2 limão (R$ 0,50) + Aminomix (R$ 0,50) + sal... seria em média: R$ 2 o Litro!
Portanto um enxame com 6 meses de idade consome em média o valor de R$ 10 de alimentação!

-Despezas extras: Já que é para por na ponta do lápis vamos la, no meliponário utilizamos constantemente: fita crepe (R$ 2 o rolo), vinagre para forídeos (R$ 2,50 o L), plástico para o enxame (R$ 5 o Metro), alimentação proteica de soja (R$ 10 o Kg) e etc...
Fora o seu trabalho com a inspeção, manutenção, manejo, vamos por ai uns R$ 50 do seu tempo e dedicação! rsrsrsrsrrsrsr brincadeira gente, o amor pelas ASF não tem preço, mas que da trabalho da! Só quem sabe para me da razão.

Resumindo amigos, em média, só de materias para formar um novo enxame (varia um pouco de espécie) você gasta tranquilamente uma média de R$ 50 a 60 para este enxame ficar ao ponto mínimo de venda!

Agora temos que levar em consideração fatores como raridade da espécie, dificuldade de manejo e multiplicação, qualidade do enxame (se está novo, médio, forte, matriz), caixa em que o enxame se encontra e etc.
Vou fazer uma lista de valores "médios" comercias das espécies mais conhecidas e criadas de ASF, levando em consideração se o enxame é médio ou forte.




Meliponas


  • Mandaçaia (QA e QQ) - enxame médio varia de R$ 100 a 150/ enxame forte R$ 170 a 220.


  • Jandaíra (M. Subnitida) - enxame médio varia de R$ 100 a 150/ enxame forte R$ 200.


  • Uruçu Verdadeira (M. Scutellaris) - enxame novo R$ 200/ enxame médio R$ 200 a 270/ enxame forte R$ 270 a 350.


  • Uruçu Amarela (M. Rufiventris/ Mondory/ Flavolineata) - enxame novo R$ 200 a 250/ enxame médio R$ 250 a 300/ enxame forte R$ 350 a 400.


  • Uruçu Boca-de-renda (M. Seminigra) - enxame médio varia de R$ 300 a 350/ enxame forte 400.


  • Uruçu Cinzenta (M. Fasciculata) - enxame médio varia de R$ 300 a 350/ enxame forte R$ 350 a 400.


  • Guaraipo negra (M. Bicolor Shenki) - enxame médio R$ 200 a 250/ enxame forte R$ 250 a 300.


  • Guaripu (M. Bicolor Bicolor) - enxame médio R$ 200 a 250/ enxame forte R$ 300 a 350.


  • Manduri (M. Marginata) - enxame médio R$ 150 a 200/ enxame forte R$ 200 a 250.


  • Rajadinha (M. Asilvae) - enxame médio R$ 150 a 200/ enxame forte R$ 200 a 250.


  • Uruçu Capixaba (M. Capixaba) - enxame varia de 400 a 500.


  • Manduri do Matogrosso (M. Favosa) - enxame médio R$ 250 a 350/ enxame forte R$ 350 a 400.

Trigonas:


  • Mandaguari/ Tubuna/ Tubiba (S. Postica/ Bipunctata/ Depilis) - enxame médio R$ 150 a 200/ enxame forte R$ 200 a 300.


  • Mandaguari Amarela (S. Xanthotricha) - enxame médio R$ 200 a 250/ enxame forte R$ 250 a 350.


  • Marmelada ou Moça Branca (F. Varia) - enxame médio R$ 100 a 150/ enxame forte R$ 150 a 200.


  • Iraí (N. Testacercornis) - enxame varia de R$ 50 a 120.


  • Jataí (T. Angustula) - enxame varia de R$ 50 a 120.


  • Mirim Preguiça (F. Schrottkyi ) - enxame varia de R$ 50 a 100.


  • Mirim Droriana (P. Droryana) - enxame varia de R$ 30 a 100.


  • Mirim Guaçu (P. Remota) - enxame médio R$ 80 a 120/ enxame forte R$ 120 a 200.


  • Moça preta (F. Silvestri) - enxame varia de R$ 100 a 200.


  • Borá (T. Clavipes) - enxame médio R$ 150 a 250/ enxame forte R$ 300 a 400.


  • Boca-de-sapo (P. Helleri) - enxame varia de R$ 100 a 200.

Esta tabela de valores de enxames varia em muitas regiões do Brasil, podendo se obter valores menores ou superiores as médias que foi citado, tudo depende também do meliponicultor.

Um exemplo de toda está explicação pode ser assim: Um enxame de Mandaçaia que é vendido á R$ 100 com idade de 5 meses, neste valor em média é gasto R$ 50 só para formar o enxame, sendo que sem colocar a dedicação e o trabalho do meliponicultor o enxame vai estar saindo por R$ 50, ou seja o lucro será minímo! Para que todo o trabalho deste meliponicultor seja recompensado o valor deste enxame teria que ser no mínimo R$ 150!

Caramba, e tem gente que reclama de pagar um preço razoável por um enxame forte, e ainda quer pelo preço mínimo um enxame forte que tomou vários anos de trabalho de seu dono!

Assim como eu, muitos só vendem enxames de suas amadas ASF para poder cobrir gastos e para novos investimentos em seu meliponário, mas há aqueles que só querem enxames pensando comercialmente, visando lucros comprando um enxame feito com muita dedicação por algum criador e sem qualquer cuidado o vendendo para outro por um valor bem maior!

Isso me deixa muito triste e com raiva, mas infelizmente o mundo é assim e você sabe quem realmente gosta do que faz, e com certeza só aqueles que realmente amam e veneram a natureza e as abelhas sem ferrão vão se destacar na meliponicultura!

Quem tiver alguma correção a fazer, ou duvida de algum assunto é só me falar!


Um forte abraço a todos....



terça-feira, 16 de novembro de 2010

Técnicas com rainhas de outras espécies

Uma técnica da meliponicultura que requer uma certa experiência e um tanto de "coragem", é a obtenção de enxames através de uma rainha de uma espécie introduzida a um enxame órfã de uma outra espécie. Ou a obtenção do mesmo, através de discos de uma espécie e campeiras de outra.
Ao longo destes muito anos que venho me aprofundando na meliponicultura através de conversas e dicas de vários amigos, pesquisas em livros, trabalhos sobre a vida das ASF, documentários, relatos e etc, eu posso hoje relatar aos amigos minhas "experiências" bem sucedidas sobre este assunto muito interessante.
Muitas destas experiências com rainhas e discos de uma espécie introduzida a outra foi feita por mim e um grande amigo daqui de minha cidade, e algumas delas eu tomei coragem de fazer graças a relatos de sucesso de amigos da internet como o amigo Sigfrid Fromming de SC.

Vamos começar com o sucesso da introdução de rainhas fisiogastricas em enxames órfãos de outras espécies:

  • Sempre obtenho sucesso em introduzir rainhas de Scaptotrigonas de uma espécie em outra espécie também de Scaptotrigona. Exemplo: Rainha de Tubuna (S. Bipunctata) em enxame órfão de Mandaguari (S. Postica)./ Rainha de Tubiba (S. Depilis) em enxame órfão de Mandaguari (S. Postica)./ Rainha de Mandaguari Amarela (S. Xanthotricha) em enxame órfão de Mandaguari (S. Postica)./ E suponho que da certo com quase todas as espécies de Scaptotrigonas. OBS: O sucesso da introdução das rainhas tem de ser feito de forma correta, não apenas pegar a rainha e botar no meio do outro enxame. Tem vários fatores que influenciam a aceitação da rainha pela elite da colônia.
  • Obtive sucesso na introdução de rainha de Uruçu Amarela (M. Mondory) em enxame órfão e bem fraco de Uruçu Verdadeira (M. Scutellaris). OBS: A aceitação já é mais complicada, o enxame órfão de Scutellaris deve ser uma alça de caixa INPA com na sua maioria discos novos e algumas nutrizes e abelhas bem novas, não se deve colocar campeiras de nenhuma das duas espécies, e deve ter cuidado para não ficar a rainha da Scutellaris no meio dos discos novos (primeiro retire-a antes de colocar a rainha da amarela).
  • Tive sucesso em introduzir rainha de Mandaçaia em enxame órfão de Uruçu Verdadeiro. Mas não deixei a rainha la muito tempo, pois não vale a pena perder um enxame de Scutellaris para ganhar uma Mandaçaia! rsrsrsrrsrs
  • Tive sucesso em introduzir rainha de Mirim Droryana (P. Droriana) em colônia órfão de Irai (N. Testacercornis).
  • E a ultima e talvez mais impressionante aceitação foi uma rainha de Uruçu Boca-de-renda (M. Seminigra) em um enxame órfão e novo de Uruçu Verdadeira (M. Scutellaris). OBS: Já faz quase 2 semanas e a rainha de boca de renda adotada pelas Scutellaris já está fazendo postura. O enxame da Uruçu Verdadeira era bem novo, mais já havia uma rainha em plena postura, assim retiramos a rainha e introduzimos a rainha de boca de renda dentro de um pote vazio de alimento, onde fechamos o pote de forma que fique varias aberturas para o feromônio da nova rainha acostumar as abelhas da Uruçu Verdadeira. OBS2: Está experiência só foi realizada graças ao enxame da Uruçu Boca de renda que estava condenado por ataque de forídeos, e no meio dos ataques foi introduzido discos de Uruçu verdadeira para fortalecer o enxame, podendo ser o "truque" da melhor aceitação da rainha da boca de renda no enxame de Scutellaris, graças ao odor que a rainha já tinha das campeiras de Scutelalris que ajudavam o seu antigo enxame.

Agora aqui vai os sucessos em introduzir discos de cria de uma espécie com campeiras de outra.

  • Disco de Guaraipo Negra (M. Bicolor Shenki) com campeiras de Mandaçaia (QA).
  • Discos de Mirim Droriana (P. Droryana) com campeiras de Irai (N. Testacercornis).
  • Discos de Uruçu Amarela (M. Mondory) com campeiras de Uruçu Verdadeira (M. Scutellaris).
  • Discos de Boca de Renda (M. Seminigra) com campeiras de Uruçu Verdadeira (M. Scutellaris). OBS: Está experiencia bem sucedida foi realizada pelo amigo Sigfrid Fromming.

Além de todas estás experiências citadas a cima, eu ainda pretendo fazer outras, mas tem espécies que eu possuo 1 ou 2 exemplares e fica arriscado eu perder o enxame!

Amigos, estás dicas e experiências não são bem simples como parece, muitas delas requer muita pratica e cuidado, alem de ser ariscado você perder a rainha ou os enxames que ficarem orfãos! Portanto só retire rainhas de enxame fortes ou no caso de certeza de perda do enxame.

Espero que todos tenham gostado e qualquer duvida ou algo que esclareci mal me perguntem por email que será um prazer responder e receber critícas.

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Revoadas de Meliponas

Que coisa linda, pra quem ja vio sabe o quanto é lindo e interessante, e pra quem nunca teve o prazer de ver alguma revoada de Uruçu Amarela, Uruçu Verdadeira ou até Mandaçaia, ai vai algumas fotos lindas de se ver.
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Revoada de Uruçu Amarela (M. Flavolineata)
Revoada de Uruçu Verdadeiro (M. Scutellaris)


Eu no meio da revoada. Detalhe que parece que estou debaixo de um ventilador!





Coisa linda de se ver amigos, espero que vocês tenham gostado das fotos!

Um abraço a todos.






terça-feira, 5 de outubro de 2010

Seminário de Meliponicultura de Franca - SP

Este importante evento contou com a presença de grandes e futuros mestres da meliponicultura da atualidade, como o meu querido amigo biólogo e pesquisador da Embrapa Amazónia Giorgio Venturieri, o Dr Cristiano Menezes da USP (que sabe tudo sobre ASF), a Profa. Dra. Marilda Cortopassi Laurino da USP, o pesquisador da Embrapa e consultor técnico da câmara setorial do mel e produtos apícolas Ricardo Costa e com a brilhante presença do nada mais nada menos Prof. Paulo Nogueira Neto em pessoa!
O Seminário trouxe muito conhecimento para todos os novos e experientes meliponicultores de vários estados do Brasil, onde tivemos aulas teóricas e práticas.
Com direito a camiseta e certificado todos levamos para casa muito mais do que conhecimento, mas sim novas amizades e grandes trocas de experiências!
Mas uma vez eu tive o prazer de conversar com meu grande mestre o Prof. Paulo N. Neto e de aprender muitas novas informações com o amigo Giorgio Venturieri, que alem de ser um ícone do presente da meliponicultura é uma pessoa humilde, muito simpático e que sempre está disposto a ajudar.
Alem dos momentos de palestras e aulas práticas tivemos oportunidade de curtir as coisas boas da bela cidade de Franca, que é a capital do sapato de SP, onde eu e meus grandes amigos e companheiros de viagens o Sr. Hermelindo Sandri (que tem apenas 50 anos de experiência com meliponicultura), os grandes amigos Wanderley Fardin e Ricardo Cosellato, nossos companheiros de hotel do Paraná Robson, Clenilson e Alexandre tivemos a oportunidade de degustar grandes refeições pela cidade! (nem todas foram grandes mais ta valendo rsrsrsrsrsr)
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Meu amigo Hermelindo trocando experiências com o prof. Paulo Nogueira; e que beleza gente, nesta foto o que não falta é sabedoria de 2 grandes homens!

o Dr. Cristiano Menezes dando uma aula de como retirar mel de ASF... ai está um futuro mestre da meliponicultura, o Cristiano é uma excelente pessoa e que eu gostei muito de conhecer pessoalmente;



Que grande foto pra mim, eu ao lado do Giorgio Venturieri. Que me incentivou muito a parar minha atual faculdade (Eng. Produção) e fazer biologia para eu poder trabalhar com ASF... E quem sabe ir la pra Belem do Pará fazer uns estágios com ele em pessoa eim Gior
gio?? rsrsrsrsrs


Da esquerda p/ direita: em pé o amigo Clenilson, Robson, Alexandre (todos do Paraná), o São Paulino viado, ops, quer dizer macho ¬¬ é o amigo Ricardo Casellato, sentado morrendo de rir sou Eu, ao meu lado os companheiros Hermelindo Sandri e Wanderley Fardin. Todos nós estávamos degustando as iguarias ao redor do hotel (churrasquinho de gato, lanchinho de beira de avenida, cerveja, refrigerante e muito papo sobre abelhas! hahahahahahahhAHAhahahahah)

A meliponicultura está crescendo cada vez mais no Brasil, e um assunto de tal importância ambiental e cultural deve ser cada vez mais falado e difundido por todos!

Amigos meliponicultores e apreciadores do assunto do Brasil, vamos lutar pela causa e exigir regulamentação decente dos órgãos responsáveis pelo Brasil... Onde aqui é permitido criar e vender carnes e produtos de animais como paca, jacaré, capivara, avestruz etc, e as abelhas nativas que são muito mais importante para o ecosistema e que estão em grande perigo de extinção não podem ser criadas e comercializadas decentemente! É de se ficar irritado com a situação, mas nunca devemos desanimar!

Um forte abraço a todos os amigos, em especial aos realizadores e palestrantes do seminário de Franca...




terça-feira, 28 de setembro de 2010

A abelha Boca-de-sapo (Partamona Helleri)

Uma abelha muito rústica e criticada por muitos, onde pessoas as confundem com as Arapuãs, e muitas vezes elas são eliminadas por falta de conhecimento!

É conhecida popularmente como Boca de sapo pela sua entrada caracteristica formando a forma de uma boca grande de sapo, feita de barro com própolis.

Muito do contrário do que muitos meliponicultores e colegas do meio pensam, a boca de sapo é uma abelha tão boa quanto outras mais criados e populares, e ainda ela leva uma vantagem estráordinaria com relação as outras espécies de abelhas sem ferrão, onde fazem seus ninhos em muitos lugares diferentes e com facilidade se multiplicam!

Seu mel é muito saboroso e limpo, e elas são grandes coletadoras de pólen, visitando muitas espécies de plantas e árvores do meio urbano.

Um fator que deixa muitos com duvida em relação a sua higiene e conduta é por causa da falta de chuvas (falta o barro), ela assim acaba pegando excrementos de animais para usar na parte externa de seu ninho, mas isso não julga nada, pois a maioria da nossa tão popular e criada racionalmente Mandaçaia também coleta fezes para marcar território na área externa de seu enxame!

Particularmente para mim ela é uma das abelhas que tem a entrada mais linda de todas as ASF, e seus ninhos coletados de forma certa é uma bela forma de enfeitar o meliponário, como nas fotos abaixo...









Outra bonita forma de salvar a abelha, e que não tem jeito de tirar seu ninho sem quebrar suas estruturas é retirar o enxame e colocar em uma caixa racional, onde ela vai fazer sua entrada também de forma escultural.

Início da construção da entrada...

Partes finais...


Portando se você achar alguém que queira matar está artista do meio das abelhas diga a está pessoa o quanto ela é importante para a flora local!




Onde se tem um enxame, por perto deve ter vários com o passar dos anos!

Um grande abraço a todos...














terça-feira, 7 de setembro de 2010

Hibridismo entre espécies de ASF

Em diversas espécies de abelhas sem ferrão observamos casos em que certas espécies tem uma ligação para ocorrer a hibridação entre elas... Ou seja, um macho de uma certa espécie fecunda a rainha virgem de uma outra espécie, formando o que chamamos de uma espécie "HÍBRIDA".
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Nestes diversos anos em que eu pesquiso e trabalho com a meliponicultura eu pude ver e relatar vários casos de hibridação entre espécies, em que algumas eu estou ou já realizei algum tipo de estudo sobre as características de desenvolvimento do enxame, reação em situações criticas do tempo e busca por alimento e etc, onde aqui vou relatar a todos os resultados visíveis de minhas pesquisas e comentar sobre casos que já observei com amigos e companheiros da meliponicultura.
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Vamos começar com uma espécie que todos já conhecemos e sabemos bastante a respeito; a Mandaçaia, que pode ser da espécie Quadrifasciata Anthidioidis ou Quadrifasciata Quadrifasciata, onde estás duas sub-espécies se híbridam com facilidade, modificando sua aparência de forma que ela tenha caracteristicas de cada uma das duas espécies.
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Na foto abaixo podemos ver um exemplar de cada espécie, sendo a primeira da esquerda p/ direita Quadrifasciata Quadrifasciata, a do meio uma Quadrifasciata Anthidioidis e a terceira a espécie híbrida, onde suas listras no abdómen ficam com as características de ambas.

Eu venho nos últimos anos observando e relatando algumas caracteristicas destas 3 espécies, e posso afirmar minhas conclusões sobre a Mandaçaia Híbrida...

Ao meu ver ela aderi as melhores caracteristicas de cada uma das espécies; fazendo potes de alimento grandes igual a QQ, não cessando a postura durante o pico do inverno igual a QA, sendo uma abelha de grande porte, a rainha faz uma postura muito boa, seus discos de cria são de diâmetro muito excelente e a população dos enxames esta sempre grande e com uma certa agressividade, coisa que é difícil de relatar nas espécies puras QQ e QA. Quase todas estas caracteristicas citadas por mim estão presentes em todos os enxames híbridos que eu possuo e já observei.

Outro caso muito comum de hibridação entre espécies é o caso das Scaptotrigonas das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste, que por sua vez são: Tubuna (S. Bipunctata), Mandaguari (S. Postica), Benjoi (S. polysticta), Canudo (S. Depilis), Tubiba (S. Tubiba) entre outros...

Estás espécies de Scaptotrionas são muito parecidas visivelmente, os meios de diferenciação das espécies acabam sendo muito confundidos por diversos meliponicultores graças as difíceis diferenças entre algumas espécies, onde estas caracteristicas de diferenciação são pelas suas entradas, pequenas listras e pontos nos abdomens, brilho das asas, micro pelos no corpo, e etc. E alem destes fatores, torna-se ainda mais difícil graças a hibridação frequente neste género (Scaptotrigonas).

Eu pude confirmar está afirmação com uma grande conversa e demonstração prática a respeito com nosso querido amigo o Prof. Cappas no ultimo encontro realizado na fazendo do Prof. PNN em São Simão, onde eu pude observar vários casos de Scaptotrigonas híbridas em que visivelmente já se nota que há diferenças nas entradas da espécie (juntando a caracteristica da entrada de 2 espécies), diferenças no abdomen (listras e pontos com caracteristicas de 2 ou mais espécies diferentes) e vários outros fatores.

Eu sei de outros casos de hibridação entre as Mirim Guaçu (Plebeias remota) com Mirim Guaçu amarela (Plebeias remotas rufis), entre as Mirim Drorianas (Plebeias droryanas) com Mirim Emerina (Plebeia Emerina), e possivelmente entre Manduri (M. Marginata) com Manduri amarela (M. marginata rufis).

Agora, o caso de hibridismo entre espécies mais interessante que estou tendo o prazer de observar e que ja tinha ouvido falar de relatos é entre a Uruçu Verdadeiro (M. Scutellaris) com a Uruçu Capixaba (M. Capixaba); pois mesmo as duas espécies estarem separadas naturalmente por mais de 300 km e ainda poderem se cruzar quando colocadas em mesma área sugere que houve uma separação geográfica abrupta, sem ocorrência de pressão para desenvolvimento de isolamento reprodutivo, se tornando ainda mais curioso o estudo de sua hibridação.

O estudo da espécie híbrida e os fatores de sua hibridação já foram estudados por grandes nomes da meliponicultura como o Prof. Warwick Estevam Kerr, alem de outros grandes pesquisadores que atualmente também fazem pesquisas sobre esta hibridação.

Na foto abaixo podemos observar uma abelha híbrida entre as duas espécies, onde o abdómen, que é geralmente preto brilhante da espécie M. Capixaba, mostrou listras brancas similares àqueles encontrados em Melipona Scutellaris, alem de diferenças na coloração do torax, e ao meu ver na face da abelha, que é uma mistura das duas espécies, e o tamanho da abelha é mais similar a Uruçu Capixaba (abelha mais robusta e forte).

Eu venho observando já a algum tempo o corportamente de um enxame híbrido entre estas espécies pertencente a um grande amigo meu aqui em minha cidade, e agente não pode deixar de notar que as abelhas híbridas são muita agressivas, fazem potes de mel bem grandes igual a caracteristica da Uruçu verdadeiro, e ao meu ver está espécie híbrida deve adquirir as melhores caracteristicas de cada espécie, se tornando uma espécie mais "forte" as dificuldades, com grande adaptação ao clima, meio ecológico e formação de novos enxames.

Eu e meu amigo retiramos a rainha híbrida do enxame, e a colocamos em um enxame órfão de Uruçu Verdadeiro, que tal enxame aceitou a rainha Capixaba híbrida e ela ja está fazendo postura a algums dias. O enxame híbrido que ficou órfão foi levado para um outro local onde não tinha enxames de uruçu Verdadeiro, junto a uma outra colônia de Uruçu Capixaba pura, e após algum tempo o enxame híbrido formou uma nova rainha que agora já faz a postura e nos resta saber se está nova rainha foi fecundada por um macho Capixaba puro, ou por um macho híbrido, e se foi, o enxame deve continuar sendo híbrido.

Se algum dos amigos quiserem saber mais sobre o termino desta situação é só me perguntar que assim que eu tiver novas respostas eu terei o prazer de falar a todos.

Bem meus amigos, espero que todos tenham gostado desta matéria, e ressalto que muitas coisas sobre hibridação entre espécies só tem um resultado correto com pesquisas de genética e meios cientificos, mas todos os meus comentários citados aqui foi com grande observação prática e idéias que aparentemente são corretas para serem ditas!

Um grande abraço a todos...

e até a próxima!